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JOÃO R |
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Design | Motion | Ilustração
Opa! Tudo bom?
Meu nome, como você acabou de ver aí em cima, é João, e eu sou designer gráfico, motion designer, pós produtor audiovisual e ilustrador.
Prazer!
Também tiro minhas fotos, faço meus vídeos e escrevo meus textos.
Fique à vontade!
Qualquer coisa, é só falar comigo no contato, aí embaixo, ó!
(publicado em 09 de Julho de 2011 - link original)
Por João R.
Lembra quando você, no seu Windows XP, enjoou do Bliss (aquele wallpaper com um campo verde com o céu bem azul que todo mundo já viu uma vez na vida) e se perguntou: “Será que dá pra por um GIF animado aí?” A consequência disso todo mundo já sabe: O Homem Aranhadançando no seu desktop, por dias. Mas não é isso que importa, certo? O negócio é que no Android isso também existe: são os Live Wallpapers. Papéis de parede que são imagens animadas – ou mais: Interativas e até mesmo úteis. Escolhemos alguns dos mais legais para você aumentar ainda mais a personalidade e funcionalidade do seu robô.
A função, que está disponível em qualquer Android com versão ao Eclair (2.1) (ou inferior, via hack), é mais uma dessas coisas que, é bom deixar claro logo de início, pode ter benefícios e problemas: O bom: seu aparelho literalmente vai ser diferente (e bonitinho!) toda vez que você olhar para ele ou tirar onda com seus amigos. Em contrapartida, dependendo do aparelho e do Live Wallpaper em questão, seu desktop pode ficar meio lento e a passagem entre telas menos suave.
Mas você é desses que não tá nem aí pra passagem de telas quando pode ter cores e grafismos se alterando loucamente atrás dos seus ícones, certo? Então vamos lá!
Antes de mais nada, é bom dizer que se você tem um aparelho compatível com os Live Wallpapers, a função já vem instalada juntamente com o sistema (não é nada que você tenha que instalar sozinho pra poder habilitar), e a troca é feita pelo menu de wallpapers mesmo, que você acessa da tela inicial, pressionando e segurando algum lugar vazio de uma de suas homescreens.
A instalação dos LWP é, pra variar, via market: São aplicativos que você baixa e instala como qualquer outro. A diferença é que eles não serão acessados pelo menu de aplicativos, e sim pelo de papéis de parede.
Os Live Wallpapers podem ser dos mais variados tipos: Uma animação simplesmente reproduzida no desktop; uma função interativa que reage a toque, passagens de tela e sensores de movimento; uma imagem dinâmica que pode vir do Google Maps com base na sua geolocalização; um slideshow com seus wallpapers estáticos favoritos; um desenho de onda sonora que varia de acordo com o som que esta sendo tocado pelo aparelho; um esquema simples de relógio e data.
Enfim, tem pra todos os gostos e potências. Seria impossível tentar fazer uma lista dos melhores oumais bonitos, porque o repertório é muito grande e qualquer opinião muito pessoal, mas pra não perder a viagem vai aqui uma seleção de destaques:
Maps: Em muitos celulares, o Maps Live Wallpaper já vem de fábrica. Com ele, tendo a geolocalização ativada em seu aparelho, seu desktop vira um monitor do Google Maps, mostrando sua localização atualizada, com ou sem imagens de satélite e indicações de trânsito. Para aqueles que não deram a sorte de encontrá-lo disponível de fábrica, existe o AdvancedMapLiveWallpaper, que oferece imagens de vários provedores de mapas, além de opções como zoom variável.
Planetas e espaço: Tanto a terra quanto a lua e até sistemas solares estão disponíveis em Live Wallpapers aos baldes no market, é só dar uma procurada. Alguns exemplos: EarthLiveWallpaper, CelestialBodiesLiveWallpaper (pago – R$2,00), MoonlightLiveWallpaper.
Além deles, diversas visualizações e simulações do espaço também são bastante populares: DeepSpaceLWP, GalacticCoreLiveWallpaper, Hyperspace 3DLiveWallpaper.
Paisagens: Provavelmente o tipo mais popular de wallpapers interativos e animados, vão de vistas noturnas de cidades a praias desertas passando pelo movimento da água do oceano e até mesmo belos cenários ilustrados. CityatNightLiveWallpaper (pago – R$1,58), StarlightWallpaper, LovelyBeachLiveWallpaper (pago – R$1,60), 3DOceanLiveWallpaper (pago – R$1,58)
Abstratos: Aí vale tudo! Você encontra desde formas e cores suaves até loucuras velozes e multicoloridas. Linhas, cubos, bolhas, fumaças. Aqui a imaginação só é limitada pela desempenho do seu aparelho, que pode ficar lento de acordo com a piração escolhida. TipografiaWallpaperLive, CrazyColorsLiveWallpaper, FourColorsLiveWallpaper, LightGridLiveWallpaper,TwistedColors, BokehRainbowLiveWallpaper.
Som: Como já foi dito antes, uma das possibilidades dos papéis de parede interativos é “ouvir” o que você também está ouvindo pelo celular e traduzir em imagens, como um waveform (desenho da onda sonora) ou um V.U. (medidor de volume) analógico, que são dois Live Wallpapers que costumam vir de fábrica.
Suas imagens: Uma possibilidade interessante dos Live Wallpapers é interagir com as suas próprias imagens, que você tem no seu celular. Tanto através de revezamento automático entre certas imagens quanto por estilização sobre elas: O MultipictureLiveWallpaper faz esse revezamento entre as imagens que você selecionar, com configurações de tempo e transição entre elas. Já o PhotileLiveWallpaper estiliza-as, criando um grid de “azulejos” animados nas suas imagens. Existe ainda, para os fanáticos por música, o AlbumArtLiveWallpaper, que busca as capas dos discos que você ouve no seu celular e as mostra num mosaico no desktop! Pra acabar, oLiveWaterpaper, que transforma suas imagens em superfícies líquidas, interativas ao toque.
Maluquice: Representados principalmente pelo ShakeThemAll! LiveWallpaper, um dos Live Wallpapers mais conhecidos do Market e carro-chefe dos wallpapers interativos malucões que se trata de vários bonequinhos do Android quicando e se amontoando em sua tela de acordo com os movimentos (e até o som!) que você executa com o aparelho, já era de se esperar que os desenvolvedores soltassem a franga em determinados papéis de parede. Tem de tudo: Frutas eobjetos insanos se movendo pela sua tela, um cachorrinho que fica cavando e fazendo bagunça,infestação de insetos, um sismógrafo, a captura da câmera do seu aparelho funcionando como wallpaper e até uma simulação interativa dos chips no interior do aparelho, com luzes indicativas reais, relógio binário e tudo mais!
Como qualquer outro aplicativos, o universo gigantesco dos livewallpapers pode ser encontrado em categoria específica no próprio Android Market, além de sites direcionados exatamente para eles, como o LiveWallpapers.org e, claro, nos fórums de Android do mundo todo.
E você, tem algum Live Wallpaper que queira compartilhar? É só dizer aí nos comentários!
(publicado em 11 de Junho de 2011 - link original)
Por João R.
Se você tem um celular com Android, provavelmente já passou pela experiência de ligar o aparelho pela primeira vez, feliz da vida, e se frustrar um pouco com o uso da interface que vem de fábrica. O robô é legal, mas ele pode ficar lento porque fabricantes enchem gadgets excepcionais de porcaria. Provavelmente é por causa do home launcher, ou só launcher, ou home screen, como pode ser chamado por aí. O home launcher é, basicamente, o que você vê assim que desbloqueia a tela do seu Android. Geralmente um “desktop” com wallpaper, alguns ícones e widgets e atalhos para abrir o menu de aplicativos, configurar, ver a barra de status. Enfim, é a interface básica de telas iniciais do seu aparelho. E como quase tudo no Android, é sempre um aplicativo.
Acontece que provavelmente – a não ser que seu celular seja da HTC, que tem uma interface de launcher de sucesso (e bastante copiada): o Sense – o seu launcher padrão não vai te proporcionar toda a alegria que um Android pode oferecer. O tão questionado Motoblur é o sistema de launcher padrão dos aparelhos da Motorola. Todo mundo sabe que ele é pesado e provavelmente só vai deixar seu celular mais lento do que ele pode ser. A Samsung também tem o seu, o TouchWiz, que também não dá muitas possibilidades e poderia ser mais eficiente.
É aí que entram os custom launchers: Aplicativos encontrados no Market destinados a melhorar a cara do seu Android (e a sua também). São mais rápidos, altamente customizáveis e cheios de funções tão úteis quanto bonitinhas. Claro, no imenso mundo do Android Market e sua fraquíssima fiscalização você acha muita coisa bem pior do que imaginava, e é por isso que selecionamos aqui as melhores opções.
Vale lembrar que cada aparelho conversa melhor com diferentes aplicativos, então pode ser que algo sugerido aqui não dê tão certo no seu caso. De qualquer forma é sempre bom dar uma conferida em compatibilidade de marca, modelo e até mesmo região do seu aparelho com os aplicativos do Market. Os melhores lugares pra se informar costumam ser os fóruns, como o xda developers (em inglês) ou o portal Android (nacional).
Você provavelmente já viu essa sigla antes, durante um “passeio” pelo Market. O ADW é um dos launchers mais utilizados e recomendados para Android. Mantendo o estilão da maioria dos launchers padrão, adiciona diversas utilidades, como um dock (barra de baixo com os atalhos principais) altamente customizável, além da dockbar, que é uma segunda barra – ilimitada – de atalhos que se abre por trás da principal e diversas opções de customização do menu de aplicativos, atalhos personalizados e temas – muitos, MUITOS temas – para baixar do Maket.
O launcher ainda conta com uma versão paga, o ADW.Launcher EX, que tem ainda mais customização, como animações de transição de desktops e configurações mais elaboradas.
Prós: O detalhamento das opções, a enorme possibilidade de customização, a dockbar ilimitada para atalhos “secundários” e gestos de ativação (da mesma forma que deslizar o dedo para os lados alterna os desktops, fazer isso pra cima e pra baixo pode ativar, por exemplo, a abertura do menu de aplicativos e o aparecimento da dockbar).
Contras: Falta a possibilidade de função secundária nos ícones do dock (você vê a seguir); Dos melhores launchers customizados, o ADW é o mais pesado.
ADW.Launcher e ADW.Launcher EX no Market, site oficial.
Talvez o mais popular dos launchers customizados, o LauncherPro também não inventa em termos de interface, mas tem desempenho excelente, além de boa customização e até widgets especiais. Embora suas configurações não sejam tão detalhadas e intuitivas quanto as do ADW.Launcher, o LauncherPro também oferece muitas opções para o menu de aplicativos, dock e, claro, também aceita temas, ícones e docks à vontade pra você deixar seu celular bem bregabonito. O interessante aqui é que o dock se comporta de forma diferente do ADW: você pode alternar entre 3 diferentes grupos de 15 atalhos deslizando os dedos, como nas homescreens.
Esse launcher também tem uma versão paga (na verdade um unlocker para habilitar mais funções no mesmo aplicativo), cujo principal destaque são os ótimos widgets personalizados, como calendário, twitter, contatos, entre outros – revertendo uma das poucas vantagens de launchers padrão como o motoblur.
Prós: Estabilidade, as boas opções de customização, os widgets da versão paga e a segunda função dos ícones do dock (clicar num ícone executa uma função, clicar e deslizar executa outra – totalizando assim 30 possíveis atalhos).
Contras: As configurações, ainda que fáceis, não são tão intuitivas e bem elaboradas quanto as do ADW; Falta dos gestos de ativação para cima e para baixo no desktop.
LauncherPro e LauncherPro Plus Unlocker no Market, site oficial.
Performance. É a palavra que define esse launcher do ícone nervosinho. Não faz parte dos mais famosos do market, não é tanta gente que usa, mas merece ser listado aqui, por ser a opção mais democrática. Disponibilizando todas suas funções de graça (não tem versão expandida paga), o Zeam é um aplicativo feito pensando antes de mais nada no desempenho ideal. É pra você, que não sabe mais o que fazer pro seu Android, que não é nenhum Atrix, funcionar mais rapidinho. E se enganou quem achou que pra ganhar toda essa velocidade o Zeam precisou abrir mão de funções importantíssimas. Pelo contrário: É claro que esse launcher não é tão incrivelmente customizável quanto os dois citados acima, mas na hora do vamos ver ele compete de igual para igual: Seu dock é ilimitado e o launcher ainda tem os gestos de ativação “para cima”, “para baixo” e “double tap” (um duplo-clique na tela inicial).
Prós: Extremamente leve e rápido; Propositalmente minimalista para aprimorar o desempenho; Gestos de ativação; Dock com 6 ícones; Totalmente grátis.
Contras: Poucas possibilidades de customização.
Zeam Launcher no Market, site oficial.
Esse launcher é o seguinte: Pega tudo isso aí que foi falado até agora é esquece. É outra filosofia. Toda a disposição das informações muda, e a interação com o aparelho é diferente. O SlideScreen é uma tela otimizada para serviços que recebem atualizações (chamadas perdidas, mensagens não lidas, calendário, twitter, reader, etc), com campos interativos, como você vê na imagem acima. Clicar em cada faixa dessa tela vai levar à sua versão maior, e arrastar a barra do meio (que substitui a tradicional barra de status do Android) para cima ou para baixo vai expandir a visualização de certas faixas para a tela inteira. O acesso ao resto dos aplicativos é pelos botões fixos do celular. Como eu disse, outra filosofia: Nada de desktop, ícone, widgets e dock. Pense na interface do Windows Phone 7, jogue fora as perfumarias e concentre-se na função. É isto aqui.
O aplicativo tem versão Pro, que nada mais é que o famoso “sem propaganda”.
Prós: Provavelmente a melhor alternativa pra quem enjoou do esquema tradicional da interface do Android e gosta de estar facilmente a par de seus serviços atualizáveis; É bem acabado e simples de usar depois de um tempo de adaptação – quem se acostuma com a nova dinâmica vê mais informações e mais rápido sem precisar entrar em diferentes apps.
Contras: A interatividade é confusa no começo; Por ter como base serviços atualizáveis, não faz muito sentido sem plano de dados.
SlideScreen e SlideScreen Pro no Market, site oficial.
O peso-pesado: GO Launcher EX. Talvez o mais customizável de todos, mas também o mais pesado. Se o Zeam salvou seu celular, passe longe desse aqui.
O imitador: Launcher7. Emula uma experiência Windows Phone 7 no Android. Legal de mostrar pros amigos, mas de uso constante pouco provável.
O modernoso: NetFront Life Screen. Alguns aplicativos, como Gmail, Twitter e o próprio discador interagem com a interface principal, gerando uma lista de leitura ainda na tela inicial. Também muito pesado.
Como já foi dito, os launchers não passam de aplicativos, como o Talking Tom Cat (eu sei que você tem), que você baixa do Market e é instalado automaticamente.
O único problema, nesse caso, é que por serem aplicativos “de sistema”, eles não costumam ser ativados por atalhos visíveis no menu de aplicativos. Após a instalação de um launcher, basta apertar o botão home que o celular te perguntará qual aplicativo deve realizar a ação, e seu novo launcher estará listado ali. Naturalmente você vai marcar a opção de “sempre utilizar este aplicativo”.
Quando quiser alterar o launcher padrão, existem 2 caminhos: Ir às configurações de aplicativos do Android, selecionar o launcher que está ativo no momento e clicar em “limpar padrões” (“clean defaults” em inglês) ou baixar o aplicativo Home Switcher, que faz o mesmo processo de forma simplificada.
E você, tem algum launcher para sugerir? Conte a sua experiência com algum deles nos comentários.
(Publicado em 15 de fevereiro de 2011 - link original)
por João R.
COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE
A morte é uma das cartas mais fortes e populares do cinema, desde sempre. E não só isso: Como no mundo da sétima arte praticamente tudo é possível (e indolor), nós temos a bizarra possibilidade de “experimentar” mortes de todos os tipos. Tem morte bonita, morte chocante, morte engraçada. Tem pra todo mundo!
Selecionamos 8 mortes criativas do cinema:
Filme: Pulp Fiction (Dir.: Quentin Tarantino, 1994)
Vítima: Marvin
Causa da morte: Tiro acidental na cabeça
Dava pra fazer uma lista de mortes criativas só com filmes do diretor Quentin Tarantino. O diretor, que é famoso por seus filmes que misturam grandes doses de violência e pop, usa e abusa da morte, tendo sempre uma mais chocante, ou bizarra, ou inesperada. Como a de Marvin, que estava conversando inofensivamente no carro e — BUM!
Filme: Jurassic Park (Dir.: Steven Spielberg, 1993)
Vítima: Dennis Nedry
Causa da morte: Dinossaurinho aparentemente inofensivo
Vai falar que você não pulou da cadeira nessa cena? Bem na hora em que aquele dinossaurinho bonitinho, que fica brincando de se esconder atrás da árvore revela sua posição de ataque, lança um veneno nos olhos do pobre Dennis e o ataca dentro do carro! Se você nunca viu essa cena, cuidado pra não assustar. Se você já viu, cuidado também!
Filme: Resident Evil (Dir.: Paul W. S. Anderson, 2002)
Vítima: Soldado #1
Causa da morte: Grade de lasers
O laser é um item indispensável para as ficções científicas. É uma apelação: Instantâneo e muito mais poderoso que qualquer arma de fogo. O laser de segurança de um dos corredores da Umbrella Corporation, então, é a apelação da apelação! Coitado do soldado #1, que diante da grade de lasers só teve tempo de pensar se ele ficava bem de xadrez.
Filme: Alien (Dir.: Ridley Scott, 1979)
Vítima: Kane
Causa da morte: Alien emergindo de sua barriga
Junte o mistério da morte e a facilidade do cinema com outro ingrediente: Alienígenas. O filme criou um paradigma (e um termo) com o chestbuster, um estágio parasita de desenvolvimento dos aliens que se hospeda em humanos, e estando pronto pra sair simplesmente faz o caminho mais curto: Rompe tudo até aparecer do meio da barriga do sujeito. Clássico.
Filme: Monty Python e o Cálice Sagrado (Dir.: Terry Gilliam, Terry Jones, 1975)
Vítima: Vários cavaleiros medievais
Causa da morte: Coelho assassino
Não é só de terror e ação que “vive” a morte! Ela também pode ser um recurso fortíssimo no humor. Taí o pessoal do Monty Python, os dinossauros da comédia, pra provar. No filme, esse coelhinho fofinho é a fera guardiã da caverna de Caerbannog. Como era de se esperar, nenhum dos cavaleiros deu a devida credibilidade ao bichinho. Tolos.
Filme: Donnie Darko (Dir.: Richard Kelly, 2001)
Vítima: Donnie Darko
Causa da morte: Turbina de avião
Poisé. Turbina de avião. E não, ele não foi sugado por uma em funcionamento. Ele foi atingido durante o sono por uma que se soltou do avião e foi cair em sua casa (em seu quarto, mais precisamente). Criativo? Bastante! Mas o legal mesmo é que isso é o que justifica e desenvolve o filme todo! Quem assistiu sabe. Quem não assistiu, desculpa pelo spoiler, a gente avisou!
Filme: Seven (Dir.: David Fincher, 1995)
Vítima: John Doe
Causa da morte: A ira.
Seven já é um filme sobre mortes. Mas vai bem além disso, não só por se tratar de um serial killer que realiza mortes baseadas nos pecados capitais, mas por este se incluir como vítima da última morte e, para isso, coordenar as outras 6 num plano brilhante. Sua morte fecha o filme sem chances para argumentos, e deixa qualquer um impressionado (inclusive pela atuação sensacional de Kevin Spacey). Infelizmente, só esse pedaço de vídeo não garante toda a intensidade da morte. Felizmente, você vai ter que ver o filme! Vale a pena!
Filme: Kill Bill — Vol. 2 (Dir.: Quentin Tarantino, 2004)
Vítima: Bill
Causa da morte: Técnica dos Cinco Pontos de Pressão para Explosão do Coração (bonito, né?)
E olha o Tarantino aí de novo! Essa é provavelmente a morte mais bem elaborada de Tarantino (afinal de contas, levou dois filmes para acontecer!). Tanto a breve luta entre A Noiva (maneira como a personagem principal é conhecida durante a maior parte do tempo) e Bill quanto o diálogo final são ótimos. E isso tudo só pra antecipar os cinco passos mais contados da história do cinema. Sim, porque a Técnica dos Cinco Pontos de Pressão para Explosão do Coração, ensinada secretamente por Pai Mei — o mestre chinês mais legal de todos os tempos! -, realmente explode o coração. Mas só depois que a vítima der cinco passos! Isso é que é morte criativa!
Antes que nos achem malucos, a gente avisa: não nos esquecemos de Jogos Mortais ePremonição. Mas esses filmes têm tantas mortes absurdas, chocantes, impossíveis e inimagináveis que dominariam qualquer lista.
(Publicado em 1 de abril de 2011 - Link original)
Por João R.
COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE
Você conhece o primeiro de abril. É aquela data – perigosa – em que mentir é “permitido”, e pior, incentivado! Mas vamos deixar a chatice de lado, porque a data é inevitavelmente divertida. Ainda mais na internet, onde o dia já é tradicionalmente esperado por geeks de plantão: grandes companhias online costumam criar pegadinhas e alterações criativas em seus sites, além de anunciar produtos malucos e oportunidades absurdas.
Reunimos o que rolou de mais criativo na internet nesse primeiro de abril (aliás, se você viu, no seu Twitter ou Facebook, pessoas cujos avatares estavam com aquele símbolo de quando o navegador não conseguiu carregar a imagem, essa foi a minha contribuição para a data. Mobilizei contatos para uma troca massiva de avatares, para simular um pequeno erro no seu browser! ).
Google e a avalanche de mentiras
Tem site que gosta de fazer uma brincadeirinha com seus usuários. O Google AMA. Tanto que daria pra fazer uma lista das ações de primeiro de abril só pra ele. É página de busca em Comic Sans (e ainda uma iniciativa Comic Sans para Todos) , é nova cara pros anúncios comerciais, é site para exercitar a mão usando o Chrome, é o Google Tradutor para animais e é até vagas de emprego: Uma para “autocompletador” (veja o vídeo!) e outra para trabalhar na lua!! Mas, no meio de toda a loucura do Google nesse primeiro de abril, uma ação se destacou: O Gmail Motion. É um serviço que permite ao usuário controlar o GMail com seu próprio corpo, através de movimentos como lamber um envelope e entregá-lo para enviar emails. Tudo demonstrado daquela forma bonita com que o Google costuma explicar seus produtos de verdade. O vídeo conta, inclusive, com depoimentos de especialistas. Ótimo!
YouTube e 1911
Mesmo sendo mais um produto do Google, o YouTube ganha autonomia na nossa lista, por ser um site sites mais “tradicionais” em ações de primeiro de abril. Dessa vez eles decidiram voltar 100 anos na história e mostrar o site em 1911, sua “data de fundação”. O legal é que eles criaram um vídeo com o Top 5 vídeos virais de 1911. Qualquer semelhança é mera fenda no espaço-tempo.
Hulu e 1990
O Hulu é um portal de disponibilização de conteúdo de TV, na internet (ao qual ninguém fora dos EUA tem acesso, infelizmente) que foi um pouco mais contido que o YouTube e voltou, nesse primeiro de abril, uns bons anos na história da internet. Foi para os anos 90, e levou toda a tecnologia do site junto. É imagem com baixa resolução que demora pra carregar, é banner de texto passando, é fonte padrão, é tudo de mais interneticamente antigo.
Groupon e a compra do primeiro de abril
O mais conhecido site de compras coletivas do mundo anunciou hoje seu registro de patente sobre o primeiro de abril. E está exigindo seus direitos de todos que fizerem pegadinhas sem autorização ou vínculo.
Pinterest e o mundo de cabeça pra baixo
O Pinterest, site para guardar e catalogar imagens, deixou as páginas iniciais de seus usuários registrados de cabeça para baixo nesse primeiro de abril. Todas as imagens das pessoas que você segue, assim como o próprio logo do site, estavam “penduradas” ao contrário. Ao passar o mouse por cima, porém, a imagem se virava de volta para sua posição tradicional.
Grooveshark e o 3D
O portal de streaming de músicas decidiu brincar com o 3D (e com tecnologia do HTML5) e deixou seu site inteiro em 3D anáglifo (aquele azul e vermelho). Em determinados locais, você encontra a equação HTML5 + 3D = Winning, em referência ao Charlie Sheen, que é outro que frequentemente parece estar fazendo piada de primeiro de abril.
Thinkgeek e a loja da Apple em Playmobil
O Thinkgeek é uma loja virtual só de produtos para geeks! E isso nem é piada, existe mesmo! Acontece que já é tradição: Eles lançam produtos fictícios bastante inusitados no primeiro de abril. O do ano passado, um saco de dormir do Tauntaun, fez tanto sucesso que foi até lançado de verdade! O desse ano é um kit, em Plamobil, de uma Apple Store! Vem com a loja, mesas com os produtos e até o Steve Jobs apresentando seus famosos keynotes (cujo telão pode ser seu iPhone 4!). A fila de applemaníacos em véspera de lançamento é opcional (é sério!)
Starbucks e o delivery de café
A rede, que é parte essencial da manhã de muita gente, anunciou hoje um promissor seviço para smartphones: Você abre o aplicativo de onde você estiver, escolhe o café que quiser e de acordo com o site, “antes que você consiga dizer abra-kadabra” um funcionário do Starbucks vai aparecer na sua frente de patinete, só pra te entregar sua bebida. Esse sim podia ser verdade, né?
(Publicado em 14 de abril de 2011 - Link original)
por João R. e Natália Eiras
COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE
Mesmo a pessoa mais conservadora conhece as cinco pontas da folha de maconha. A planta, que dá origem a uma das drogas mais consumidas no mundo, virou até símbolo pop, sendo estampada em camisetas, brincos, colares e outros acessórios. Tanta popularidade, no entanto, não impede que a maconha continue sendo uma das drogas mais controversas. São tantos argumentos contra e a favor da liberação da cannabis para o uso medicinal e, até mesmo, para o uso pessoal, que foram criados alguns mitos sobre a verdinha. Mas antes de você se estresse sobre o assunto, desvendamos 7 mitos sobre o cigarro mais famoso do mundo:
A maconha vicia
O vício na maconha é uma questão bastante relativa até mesmo para os cientistas. Segundo o biomédico Renato Filev, pesquisador do Núcleo de Neurobiologia e Transtornos Psiquiátricos da USP, o vício na cannabis, de fato, não existe, mas sim um hábito de fumá-la. O consumo de erva com frequência pode ser considerado vício, porém, não há relatos clínicos de casos de abstinência”. Também não há relatos de tolerância (quando a droga não faz mais efeito) à cannabis, um dos sintomas do vício. O fato do conceito de dependência ter ganhado outras facetas também dificulta dizer se há o vício. “Há diferentes níveis de dependência. O vício na maconha, entretanto, é social e individualmente menos danoso do que os de outras drogas e mais fácil de ser enfrentado, ainda que acarrete grande sofrimento, como qualquer transtorno mental grave”, diz o antropólogo Maurício Fiore. Ou seja, você pode não se tornar quimicamente dependente da maconha, mas mentalmente.
A maconha causa danos cerebrais
O uso excessivo de maconha pode caudar danos cerebrais sutis a longo prazo, mas não deixar a pessoa completamente demente. Este mito aparece na história desde o século 19, quando os ingleses acreditavam que o bhang, bebida à base de maconha bastante comum na região da Índia, causada demência. Hoje, depois de anos de pesquisas, sabemos que a cannabis não faz mal, desde que usada moderadamente. Experiências que compararam pessoas que não fumavam maconha com usuários assíduos, que consumiam cinco baseados por dia há mais de 15 anos, mostraram diferenças sutis nos resultados de memória e atenção. A mesma pesquisa mostrou que o uso excessivo e diário de álcool causa mais sequelas do que a cannabis.
Maconha x Cigarro: males
Não há provas da relação direta entre fumar maconha e câncer de pulmão, traqueia ou outros associados ao uso do cigarro. Nem por isso, o baseado está livre de seus males. “O fato de ser inalada normalmente sob a forma de fumaça resultante da queima da erva enrolada num papel acarreta consequências tão ou mais negativas que as do tabaco”, diz o antropólogo Fiore. Outra preocupação é que os resultados do uso prolongado da droga ainda são incertos.“A ilegalidade da maconha é um enorme obstáculo para a pesquisa sobre consequências do seu consumo e para a disseminação de informações aos seus consumidores”, completa Fiore. Mas já sabe-se que o usuário eventual não precisa se preocupar com um aumento grande do risco de câncer. Porém, aquele que fuma mais de um baseado por dia há mais de 15 anos deve pensar em parar.
A maconha é só o começo
Grande parte de viciados em drogas pesadas foi, no passado, usuário de maconha, mas nem todos ficam viciados em drogas pesadas. Esta é a melhor maneira de explicar o fenômeno que deu à cannabis a fama de que é uma porta de entrada para o consumo de drogas como o crack e a heroína. “Uma parcela muito pequena de usuários de maconha migram para outras drogas”, diz o biomédico Filev. A maior e única ligação entre a maconha e o crack, por exemplo, é que ambos são ilegais e são vendidos no mesmo lugar. Segundo o antropólogo Mauricio Fiore, o que faz um usuário de maconha ter acesso a drogas mais pesadas é o simples e puramente fácil acesso a elas, por estarem na “mesma prateleira do supermercado”.
A maconha é mais forte hoje do que era no passado
As novas técnicas de cultivo da cannabis e a popularização do skunk, maconha hidropônica, são os culpados pelo surgimento deste mito. A sociedade civil acusa que o uso de tipos híbridos no cultivo da maconha faz com que a planta tenha maior quantidade de resina e de princípios ativos, o que a deixaria mais “forte”. De fato, a “potência” da maconha depende da “safra” da cannabis e dos cuidados do cultivador, mas essa turbinada independe se a planta é hidropônica ou não. “Planta geneticamente alterada não significa maior potência e nem muito menos que os usuários estejam consumindo maconha de forma mais arriscada ou perigosa”, diz o antropólogo Fiore.
Maconha não tem valor medicinal
A maconha pode (ainda) não curar, mas ajuda a aliviar os incômodos do tratamento de transtornos mentais e de portadores do HIV, estimulando o apetite dos pacientes. O primeiro relato médico do uso medicinal da cannabis foi há 5 mil anos, em um herbário chinês, onde a planta era indicada para combater males como a asma, doenças do aparelho reprodutor feminino, insônia e constipação intestinal. No ocidente, quem inaugurou o uso “sério” da droga foi o professor Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Atualmente, os medicamentos com base na maconha estão sendo usados em pacientes de Aids, câncer e esclerose múltipla. “Estão sendo feitos os componentes da Cannabis em comprimidos e spray”, conta o biomédico Filev. “A droga, então, poderá ser usada nos tratamentos de transtornos como ansiedade, depressão, psicose, esquizofrenia e doenças neurodegenerativas”.
Na Holanda vale tudo!
Se você acha que, assim que descer em Amsterdã, encontrará pessoas por todos os cantos fumando os seus cigarros de maconha, você está completamente enganado. Ao contrário do que achamos, a Holanda não liberou a Cannabis, mas adotou uma política de tolerância às drogas. Você não encontrará, por exemplo, gente fumando maconha nas escolas e nos transportes públicos, lugares onde o consumo é proibido. Os usuários só podem acender os seus baseados em parques, bares e ao ar livre. Você também não poderá comprar a Cannabis em qualquer lugar, já que apenas casas especiais, os Coffee Shops, podem vendê-la. Além disso, uma pessoa pode comprar, no máximo, 5 gramas de maconha (sendo que os Coffee Shop podem ter no máximo 500 gramas da droga), para evitar o consumo excessivo e o tráfico de drogas. A legislação proíbe, ainda, a publicidade da cannabis e a venda da erva a menores de 18 anos.
A solidão que todo mundo tem
E não necessariamente sente. Mas tem.
Não deve existir uma pessoa que nunca esteve sozinha. Não devo afirmar.
Não deve existir alguém que nunca achou que não há ninguém que nunca esteve sozinho.
A solidão permeia todo mundo em sentimento e observação. Ela se faz notar. Ela acompanha quem não é solitário.
Quem sabe ela acompanha todo mundo, e só quem não tem ninugém pra distrair percebe.
A solidão é solitária. E se apega a quem dá uma chance a ela.
E talvez quem dá uma chance a ela se apega também.
—
Esses dias eu estava sem ninguém e decidi escrever.
E acho que vi a solidão do meu lado. Deitada na minha cama. Com as pernas meio cruzadas. Ela deve ser que nem roteiro de filme ruim. Bem personificada pra você ver que a coisa tá feia.
Eu acho que ela estava ali. Mas acho que ela é a evolução do lirismo humano para as musas de antigamente. Parando pra pensar, pode ser mesmo.
Se antes a humanidade escrevia para ninfas ou figuras humanas inspiradoras, hoje ela escreve para a falta disso tudo. Ninguém tem ninfas. E só escreve quem não tem mesmo. E só escreve, talvez, quem não tem inspiração nenhuma. Porque inspiração - hoje, ao menos - é movimento. E movimento é gente. E escrever não.
Quem sabe escrever é solidão.
Quem sabe a saudade é a companhia que nos faz parar pra ver, e ter tempo pra escrever.
Quem sabe as musas não existiam.
—
Faz muito tempo que eu não te vejo.
Não, nem faz tanto tempo. Mas foda-se.
Faz algum tempo, e é o que importa. Digo, o que não importa. É o que eu odeio.
Essa história da vida atropelar as pessoas quando é delas que sai a vida.
Esse papo de ser feliz.
Essa merda toda.
Se eu estivesse com você não estaria pensando merda.
Eu queria ter você.
É simples assim. Sem poema sem lirismo sem verso sem piedade.
Eu queria ter você sem qualquer enrolação. Sem qualquer distância tempo internet outra cidade.
Sem essa rima de merda, sem essa linha pulada.
Eu queria ter você comigo agora sem mais nada.
“O nome da filha dela é Gaia? Então ela é filha da Susi e mãe de todos nós e da natureza?”
Falei, no carro, debochadamente, no tom certo pra parecer sério até um nível máximo onde as pessoas percebessem a sagacidade, a seriedade, e talvez até chegassem a questionar um por um instante delirante mas logo tivessem a certeza de que foi só piada e eu não acredito nisso aí de mãe Terra não, poxa. Eu tenho uma posição social pela qual zelar, por favor, né.
Mas eles também tinham, e claro que fizeram aquela cara meio besta soltando o ar mais forte pelo nariz só pra manifestar algum entendimento, não necessariamente alguma graça.
“Cara, mas por que você me avisou só agora? Tanta coisa pra falar, tanta coisa pra falar, aí acaba saindo essas merda!”, defendi.
Meio nesse climinha, ou eu ou o Du tentando encaixar umas gracinhas não melhores que essa e a Clara quieta, só no arzinho pelo nariz. “Respira, Clara!” Esse foi o ponto alto.
Chegando na Susi, toquei a campainha, olhei pra Clara e falei de novo, apelando. Ela deu uma risadinha bem verdadeira, e o Du soltou ar pelo nariz, mas de um modo bem mais espontâneo que o das piadas do carro, esse aí foi até triplo, simulando uma risadinha contida porque a Susi poderia aparecer ali.
A Susi apareceu ali, no cantinho da janela, empurrando a cortina pro lado. Deu um sorrisão, percebeu alguém falando com ela lá dentro, olhou pra trás e gritou, simpaticamente, “é bom!”. Olhou de volta pra gente com uma versão mais fofa do mesmo sorrisão e sumiu da janela.
Abriu a porta e antes que qualquer um de nós ou ela mesma pudéssemos esboçar qualquer reação, vem de lá de dentro uma voz esganiçada e fininha, bem de criança mesmo, “E PORTA?”, mas aí a Susi conseguiu não responder instantaneamente e partiu pra cima da gente “Paulããããããão!”, me abraçou bem forte mesmo, foi legal, a gente era melhor amigo, né, e aí gritou quase com a mesma intensidade os nomes da Clara e do Du, que na verdade foram Clara e Duzão, que era como uma galera conhecia. O grito do Duzão foi de um jeito mais descontraído, que nem cumprimento de surfista na novela, assim, sabe, meio querendo ser malandra de propósito.
Eu, que morro de medo desses reencontros, de já ficar chato, de já ser estranho, de não ter assunto, mesmo após o caloroso cumprimento ainda estava noiado e como sempre apelei pro humor, “Mas me diz, Susi, e porta?”, me referindo com uma cara bem esquisita à frase que todo mundo ouviu 10 segundos antes. A Susi foi falar “é, então, é essa pes-” e foi interrompida por outra versão, agora mais alta, da frase. “MÃÃÃE, E PORTAAA?”. Demos uma boa risada, eu meio aliviado da tensão que ainda não havia nos pegado, e aí a Susi, com cara bem de mãe mesmo, retomou “é essa peste da minha filha… Gente! Eu tenho uma filha!!”, como se se tocasse que nunca havíamos nos encontrado desde que a Terra existia sobre a terra… Melhor não insistir nesse tipo de piada, né?
Todos comemoramos mais pela ansiedade e alegria contagiante da Susi enquanto ela se virava pra dentro e falava “é bom, senão a gente não ia conseguir entrar em casa, né!”. Virou de volta pra gente e nos falou pra entrar logo que tinha uma mesona posta ali dentro esperando por nós.
Entramos. Casinha bonitinha e tal. Eu não presto atenção em casa não, qual mesa é de num sei onde, esse quadro hornando com o aparador, cores e disposição dos aposentos. Só achei bonitinha mesmo, mas o Du, à noite, me mandou uma boa meia hora de conversa só falando desses detalhes aí que eu não ligo. O cara pira.
Aí no meio da sala de jantar tinha uma mesa. Meu amigo, que mesa. Uma bela mesa mesmo. Pensei em café colonial. Claro que não tinha nada a ver e nem chegava perto de um café colonial, mas foi ilustrativo, sabe? A Susi sempre teve as manhas de arrumar as coisas de um jeito muito bonito pra impressionar o pessoal.
O Du me deu um susto quando olhou rapidão pra cima e interrompeu a caminhada da Susi, mão na frente dela mesmo “Puta lustre lindo, Susi!”. Aí foi engraçado, porque ele percebeu a palavra Puta bem depois de nós três, olhou pra gente e logo virou, paralizado, pro corredor de onde vinham os sininhos de binquedo. A Susi deu risada de verdade e bateu nas costas dele pra tranquilizar, sinal de que ela não ligava pra essas coisas. Dois segundos depois, “MÃÃÃE…”, e o Du congelou, cara, congelou. Foi demais. “LUSTRE É BOM?” a gente riu muito, o Du fez aquelas caras dele e mandou um “ufa”, e a Susi toda animada “é bom sim, Gaia!”.
Tá, aí já tava merecendo um minutinho de atenção, né. A Clara se antecipou “que história é essa de é bom, Su?”. “Ah, é que a Gaia- AH, o nome dela é Gaia, vocês sabiam, né? Lindo, né?” Concordar com um negócio só pelo protocolo social é estranho mas é muito necessário, né? “Então, é que a Gaia tá pegando agora essa percepção de bom e ruim, esses conceitos. Começou a mania na escola quando ouviu a professora falar muito enfaticamente pra um amiguinho que cuspir” CUSPIR, cara “no outro era ruim. Parece ter sido bem enfaticamente mesmo, sabe? Ela até imitava a professora ‘É RUIM É RUIM É RUIM’ balançando os bracinhos e batendo o pé assim. Muito fofa. A professora que não deve ter sido tão fofa, né?” e riu, pensando no que ia falar em seguida, nos exemplos, provavelmente. “Aí como a professora falou que ‘abraçar é bom, cuspir é ruim’, ela meio que se tocou desse maniqueísmo do mundo” foi legal que nessa hora ela gesticulou de um jeito irônico e deu uma abaixada de sobrancelha, foi uma cara muito Susi, deu saudade. “E agora tudo ela quer saber se é bom ou ruim, tá com aquela fome de pergunta que criança tem, né. Já me perguntou de um monte de tipo de coisa, vocês têm que ver! Vocês vieram numa época engraçada, que legal. Já foi tudo que é bicho, pinguim, elefante, barata, escorpião, cachorro, um monte de coisa, como esse lustre, porta e tal, agora que ela já deu uma esgotada no que mais povoava a cabeça dela, olha pra frente e pergunta já de qualquer coisa que vê, ou que ouve”, enfatizando o ouve de um jeito muito engraçado, olhando pro Du, que fez outra cara sensacional. “Às vezes tem até uns conceitos, sabe? ‘Mãe, liberdade é bom? Mãe, ousadia é bom? Mãe, riqueza é bom?’ E aí você se pega pensando na vida, é muito impressionante! Porque é claro que cachorro é bom, né, liberdade, e tal, e que escorpião é ruim. Mas aí como você vai falar pra sua filha que riqueza é bom, assim, e não dizer mais nada? Aí eu fico super preocupada revendo todos os meus valores e tentando ser o mais abrangente possível sobre qualquer tema complicado. ‘Riqueza é bom, sim, filha, mas se foi muito muito mesmo começa a ficar ruim, porque tem muita gente que fica chata quando tem muita riqueza’. É ótimo. Esses dias falei pra ela que gay é bom, muito de bate pronto, e fiquei toda orgulhosa. Depois exitei, pensei em explicar pra ela que ser bom não é ser melhor e que na verdade o legal é que todo mundo é igual, mas acho que ela ainda não tá com essa noção de relatividade e hierarquia na cabeça, acho que a coisa é mais simples, só quer saber se é bom ou ruim mesmo. Eeeeeenfim, né, essa é minha vida hoje!”, e dando outro sorrisão, sentou na mesa.
Sentamos também e começamos a comer. Era tipo um café da tarde bombadão, com bolos, pães e tal. Logo a Susi, que no começo queria um tempo mais exclusivo com a gente, foi pegar a Gaia no quarto dela pra gente conhecer. Me incomodei um pouco porque a menina parecia gritar pra falar, sabe? Era sempre um tom muito alto. Mas até aí acho que criança costuma ser assim, né? E eu sou chato demais também, né. Mas fora isso a menina parecia ser bem legal, engracadinha, sabe? Não era dessas crianças chatas que fica jogando comida pro alto, batendo em todo mundo. Ficava ali na cadeirinha dela, mais alta, com uma cara de curiosa, olhando pra gente e comendo. Pelo jeito ela tava bem viciada nesse negócio do bom e ruim mesmo, teve umas pérolas. Inclusive, essa menina era um gênio dos silêncios constrangedores. Quando eu começava a me preocupar com a situação estranha, ela mandava alguma coisa engraçada, tipo “Baguete é bom?” Nessa, a Susi falou “come, você acha bom?”, ela comeu e balançou a cabeça assim, num sim, e ouviu um “então é bom, né, filha!”, dando uma risada bem de boca aberta mesmo, pão pra todo lado. Aí, percebendo isso, comecei a usar o negócio a meu favor. Digo, a favor da conversa sem momentos chatos. Se o assunto começava a morrer, ou um silêncio começava a rolar, que é normal pra gente que não se vê há muito tempo, né? Tipo, tem um limite de tempo onde dá pra conversar batidão sem parar, mas isso aí de 10 anos complica, porque é muita história, e tanta coisa que as vezes fica aleatório, perde o fio, as possibilidades de assuntos novos são muitas, enfim. Aí, nessas horas, eu mandava qualquer interjeição besta que numa conversa normal só escancararia mais a falta de assunto, mas que com ela ali funcionava bem pelo contrário. Aliás, eu falava e dava uma olhadinha ligeira pra ela, sentindo que ela tava com a cabeça levantada. “Aiai, né, que fartura!” e ela, sorrindo por já saber que a gente tava curtindo tudo aquilo, “FARTURA É BOM?”, gritando ainda mais de empolgação. A gente ria, a Susi explicava rapidinho e sem percebermos já estávamos no próximo papo, e aí no próximo silêncio. Deu certo umas 3 vezes isso aí.
Teve uma hora em que a Gaia tava no chão, folheando aleatóriamente uma revista da Susi. A gente já tava naquele estado mais lento, meio enfastiado da mesa maravilhosa, falando mais devagar e tudo. Aquela empolgação do reencontro já havia se diluido em conforto e a gente tava muito à vontade. Um silêncio tranquilo tava no ar, e do nada a menina “E A…CÉFA…CÉFALO. ACÉFALO. É BOM?” A gente se olhou de um jeito meio estranho. Meio que todo mundo pensando “nossa, menina, que palavra, heim?”. Pelo jeito que ela falou eu percebi, mesmo de costas, que ela tinha acabado de encontrar a palavra na revista. Foi engraçado. Digo, seria hilário no começo do encontro, mas a barriga pesada só tornou aquela graça meio subentendida mesmo, passível de confusão até com um certo estranhamento ruim. Não sei, foi algo meio brusco, inesperado, saía do tema e da linha que ela vinha perguntando. A Susi olhou pra ela e falou “não, Gaia. Acéfalo não é bom!”. Sem perguntar, a menina aceitou a informação, já que já estava com uma cara meio de nojo quando ouvia a palavra. É uma palavra feia mesmo, né?
Isso aí eu acho que foi meio que o suficiente pra gente ali. Claro que era engraçado sempre, mas acabou ficando demais pro dia. A Gaia tinha empolgado muito durante o lanche e a gente, já sem toda a paciência do mundo, e vale lembrar que ela é criança e a gente é adulto, deu um pouco na telha. Mas a Susi continuava a responder sempre com um mínimo de entusiasmo. Ela achava isso um momento muito importante. E é, né.
Depois disso o rumo das coisas foi natural, tanto pros adultos quanto pra criança. A gente matou o finzinho da garrafa de café, foi falando menos, uns assuntos que já encaminhavam pros compromissos de amanhã, pra vida corrida, pro não tá fácil, tudo mais. E a Gaia ficou com aquele sono bizarro de criança, né. De pulando pra sentada, de sentada pra deitadinha brincando com os brinquedinhos ali só na área que o braço chega sem mais esforços, de deitadinha pra capotada no tapete da sala. A Susi pegou ela e botou no quarto de novo. Essa aí foi nossa deixa também. Nos despedimos, foi ótimo ver a Susi, falamos coisas bonitas, marcamos inúmeras cervejas pra sempre que desse, prometemos contato infinito por internet, mandamos beijos pra todo mundo da Susi, por ela, e fomos embora. “Qualquer coisa dá um toque!” e fomos embora.
Fui pensando, no caminho, e tô pensando até agora, aliás, sobre coisas boas e ruins. Me propus uns exercícios de pensar meio que nem a Gaia. Em coisas óbvias, evoluindo pra conceitos. O estanho é que a nossa cabeça, agora, sempre complica, né. Pô, lâmina de barbear é bom, mas é ruim também. Tudo é meio interessante mas perigoso, sabe? Maçã. É bom? É bom, mas com café não vai. Sabe? Até alegria eu questionei mais do que deveria. E, claro, no auge da loucura cheguei até a questionar a decisão tão óbiva da Susi sobre acéfalo. Enfim, fiquei meio quieto de volta pra casa, só qualificando as coisas num momento bem infantil mesmo, de simplificar a questão a esse ponto, sem se importar se qualquer resposta vai mudar minha vida ou não. Criança é massa, cara. Deve ter muito estudo por aí sobre isso, né?
Chegando em casa, só pra voltar ao mundo de sempre, emoldurei a viagem como sempre faço com qualquer coisa. Não me importei com a graça ou falta dela, e nem se, lembrando da Gaia, piada chata é bom ou ruim, e falei, melhor, gritei enquanto descia do carro “MAS NOME HIPPIE É BOM?”.
Tem essa história de dar uma olhada por cima do ombro de vez em quando. Nada significativo, mas também nada aleatório, eu acho. Mais algo relacionado ao gestuário que ao visual. Ou algo que seja só pra cabeça ficar tranquila mesmo, né, do tipo “pra não dizer que não dei uma olhada”. Sei lá, fico analisando essas coisas.
O negócio é que rolou uma dessas ali, e eu acho que foi pros dois. Não consegui ver ao certo porque essa olhada, como eu disse ali sobre o gestuário, não permite que a gente veja muita coisa, né, mas meio que senti a silhueta dela dando uma pescoçada assim também.
Mas sei lá, depois larguei mão de frescura porque dada a primeira impressão a coisa parecia valer a pena e virei o rosto mesmo, de até sentir o músculo da nuca, uns bons 160 graus, e claro que a merda da cidade toda tava passando entre a gente bem naquele momento só pra me castigar porque inventei de não virar o rosto de primeira, e tudo que acabei vendo foi o finzinho do sapato dela, um salto preto que só é bonito agora porque aquela primeira impressão que falei agora também foi, porque era um salto preto que nem qualquer salto preto.
Que merda. Olhei pra frente de novo meio inconformado. Ensaiei uma virada de tronco, voltei, pensei um pouco, fazer uma loucura. Mandei uma virada completa pra inverter a direção. Que ousado. Que ousado! Aí foi bem ridículo mesmo, palhaçada, instintivamente tentei interromper a inversão, troquei um pé pelo outro, chutei meu calcanhar, como assim né, e aí dei uma cambaleada esquisita quase tropeçando na sarjeta e por pouco que não dou num poste. Besteira.
Já que eu tava no purgatório do ridículo só esperando o destino se manifestar a respeito do meu futuro que poderia ser subir aos céus com a volta da dignidade representada pela cabeça baixa, quietinho, andando no sentido original, ou ir pro inferno mesmo, mandar à merda e começar a CORRER pro sentido oposto, dei uma parada no meio da calçada mesmo, foda-se todo mundo que quase trombou em mim, e dei uma virada de corpo bem discreta. Olha só, trouxão, como virar é um negócio que foi feito pra se fazer parado e não andando com a cabeça a mil. Agora, olhando pro outro lado, o lado dela, consegui avistar ali no meio da galera o coquinho da cabeça com cabelo moreno liso de mechinhas avermelhadas subindo e descendo. Ela anda meio saltitante ou é só porque eu tô prestando atenção? Num momento de muita segurança, abandonei-a de volta à multidão sem minha supervisão atenta e reparei numa tiazinha que andava um pouco atrás dela. É, realmente, era só porque eu tava prestando mais atenção. Aprenda: Todo mundo anda meio saltitante, sempre, é que a gente não percebe. Seguro que estava na primeira parte dessa tese, consegui voltar à cabeça dela rapidamente. E pra provar que eu era bom mesmo nisso aí de seguir as pessoas, concebi mentalmente um esboço de caminho entre a multidão, já imaginando uma velocidade certa. Se fosse tudo bem na medida do possível, sem muitas trombadas porque algumas sempre rolam, eu devia conseguir chegar ali perto dela em mais uns 20 segundos de caminhada rápida. Aí era só reduzir o passo pra não dar na cara que eu tava correndo atrás dela e boa. Partir pra próxima etapa.
Por tudo isso que eu falei parece mesmo que eu ia pro inferno, né? Magina, a redenção veio com um último olhar, numa esperança meio obsessiva compulsiva de que se alguém bloqueasse minha visão dela por uma piscada eu deveria entender o sinal e esquecer tudo isso aí, que foi concretizada. Uma série de pessoas apressadas, tipo um grupo, e depois um pipoqueiro bem tranquilo foram enviados diretamente dos jardins do destino com a função única de me tirar daquela história ali. Valeu, destino. Valeu, TOC. Valeu, pipoqueiro. Foi massa mas agora eu tô indo pro céu dessa situação.
Virei de volta pra onde eu estava andando desde o começo, daquele jeito meio filme de virar o corpo primeiro e depois, lentamente, a cabeça, com um medo esperançoso meio barroco de que o pipoqueiro se movesse mais um pouco e eu conseguisse localizar novamente a cabeça. Mas não, meu rosto já tava virado pra frente de novo. Vambora, cabou o mundo por enquanto, quem sabe no próximo purgatório, quem sabe na próxima virada, parada ou trôpega, quem sabe na próxima pescoçada. Valeu, moça do cabelo com mechinhas.
Ah é?
Posso te dar um toque pra falar que hoje eu bebi três garrafinhas de água só até a hora do almoço e que pelo que todo mundo fala é ótimo e talvez nem pedir sua opinião, mas só pra falar mesmo? Posso te contar que hoje vi um passarinho bebendo água de uma poça na rua que, de onde eu estava, refletia outro passarinho num galho dessas arvorezinhas de calçada e falar que como só aconteceu no mundo real isso é o máximo de coincidência que provavelmente eu vou ver hoje e que em um filme a natureza teria mais cuidado com o enquadramento e aí não só os passarinhos estariam lá em formas real e virtual, como estariam próximos o suficiente para que o espectador achasse que estavam de alguma forma ligados transcedentalmente e por que não até tendo uma conversa impossível, quem sabe? Posso te avisar que hoje vou dar um pulo na casa da minha vó pra dar um beijo nela e quem sabe beliscar alguma coisinha por lá mesmo e estando na região talvez saia com um amigo meu que você nem conhece depois?
E te consultar só pra saber se listra vai bem com um padrão quase imperceptível, sendo a listra na camisa em vermelho e preto e o padrão na calça, em cinza claro e escuro? Pedir uma opinião sobre qualquer biboca aí do seu bairro só porque ouvi falar em algum lugar e não por qualquer outro motivo? Te recomendar o novo do Arctic Monkeys por estar ouvindo enquanto alguma coisa legal aconteceu aqui no trabalho e me deu uma animada que eu só vou perceber depois e em outro momento posso nem gostar mais tanto assim?
Comentar alguma coisa sobre algum tópico que eu goste muito e sei que se aplica a uma parcela muito pequena da população, pra comentar mesmo? Comentar alguma coisa sobre mapeamento genético? Te contar alguma história que não tem relação nenhuma com você mas acabou de acontecer comigo ou até mesmo que eu tenha ouvido outro dia e por não estar fazendo nada de mais produtivo agora acabei me lembrando e (desculpe a frieza) você era a única pessoa online pra jogar conversa fora? Mandar um link com uma leitura muito longa, e as vezes até longa demais pra mim mesmo, sobre comportamento online não porque eu ache que o meu ou o seu são errados (mas mesmo assim você pode pensar) e sim porque de alguma forma eu sinto que é um assunto que todo mundo que vive online lê de uma forma meio meta, mas lê, por ser útil ou por ser só uma dessas coisas que são currículo de qualquer um que quer se afirmar pra qualquer coisa, tipo filmografia de tese de mestrado?
Posso te ligar se me envolver num acidente mas só depois pra dizer que tá tudo bem? Posso te ligar na hora pra você me levar pro hospital? Posso te ligar antes se tiver um mau pressentimento?
Se eu achar que tudo bem, chorar as pitangas dos problemas da vida e não esperar necessariamente uma resposta ou um conselho, mas até ficar feliz se você disser alguma coisa, mesmo que essa coisa seja a dura verdade que vai me machucar mas só pra eu ficar maior depois? Posso te contar segredos? Falar que percebi que te amo sem que isso seja verdade só pra estudar a sua reação? Posso te perguntar se tá tudo bem?
Posso te dar um toque qualquer coisa?
“Dá esse celular aqui.”
Parece que vai dar merda pelo jeito que eu falei, né?
Não, relaxa. Foi bem tranquilo mesmo, tipo o jeito que você usa pra falar despretensiosamente com qualquer amigo seu. Comigo mesmo, vai.
“Dá esse celular aqui.”, eu dei e no fim das contas me surpreendi quando vi que ela tava vendo mesmo era o design do negócio. Ela gosta de preto, né. E por sorte essa história de celular coloridão deu uma morrida. Mas ainda tem uns bonitos por aí, né? Mas, de qualquer forma, não é o meu caso. Preferi comprar o preto mesmo - você viu o azul que tem desse meu? -, sou um cara discreto, vai. hahah.
Aí ela deu uma olhada, virou o aparelho nas mãos umas 3, 4 vezes e tal. Ligou a tela, bloqueou. Ligou de novo. Pediu a senha - que eu passei tranquilamente, claro, quem vai encanar com uma coisa dessas? - e ficou ali, brincando no negócio.
Tava engraçado de ver.
Foi meio inesperado aquilo ali. A gente tende a considerar meio ETs as pessoas que não vêm da nossa área, ou que não trabalham com o que a gente trabalha, sabe? Acho que é assim pro mundo inteiro, né. É claro que eu não vou ficar dando opinião sobre o funcionamento preciso do complexo de golgi pro Marcelo, sabe? Ou posso até dar, vai saber. Mas eu sei que não, no caso. hahaha.
Mas entende? Ela ter ficado olhando, ter até falado algumas coisas comigo, uns pareceres meio “não sei, mas sei”, considerações bem daquelas claramente inocentes, mas cirurgicamente precisas em si, independente do jeito de falar. Tudo isso foi legal demais só por ser inesperado. A gente subestima as pessoas, cara. A gente se engrandece automaticamente, meio que por segurança, quando o assunto é “nosso”, e tende a desprezar pessoas que não temos no leque inconsciente de respeito relacionado a ele.
Por sorte o nosso campo é bem mais humano - no sentido teórico, claro! hahaha - que o do Marcelo, e essas coisas podem acontecer com a gente.
Coitado do Marcelo, que nunca vai ter ninguém pra pedir pra dar uma olhada em seus complexos de golgi.
Escrever uma poesia
Quem diria, quem diria
Sem parar pra ouvir o vento
Desalento, desalento
Ou saber medir um verso
Tão disperso
Ou querer rimar as coisas
—
Sem ver cinza na calçada quando o que sobe nos olhos é
o laranja das luzes dos postes
o azulado das telas de casa
o amarelo em semáforos mortos:
É a chuva, é a chuva.
—
Sem que alguém possa sentir o frio que eu sinto
e andar o caminho que eu ando
e olhar pras esquinas que eu olho
e ouvir os rangidos que eu ouço:
Um momento, um momento.
—
Uma vida com o branco batido em cinza
onde tudo se anima
tudo se detalha
se aproxima:
Não espalha, não espalha.
—
Ou saber rimar um verso
Tão disperso
Ou querer medir as coisas.
Um puta bolo de chocolate.
E depois um carro que saiu de controle na curva, girou 360 graus na derrapada, voltou ao lugar e continuou o percurso.
Isso é o que acontece hoje. Isso é o que você vê a qualquer minuto. Isso é simples, é menos de um scroll. E não é um problema não. É interessante.
Um CD com as 2 faixas que você precisa. As 2 que te dão o clima, a letra, o tom.
E a pausa.
Pra continuar e ritmar, fazer o negócio voar como você quiser. Céu azul sem nada, ou roxo forte e nuvens impressionistas bem pintadas ali.
Achar o texto uma fraude, o resultado forçado, achar a vida cretina, tudo isso é bem normal.
Mas é isso aí.
Pelo menos isso aí ficou meio registrado, de certa forma, de um jeito que você possa ver.
Vai que um dia você se distrai da função normal de achar defeito.
Não vai achar que isso é auto ajuda, por favor.
É só um puta bolo de chocolate, um carro derrapando, um CD com as 2 faixas que você precisa.
Uma fraude.
Essa vida cretina.
It’s a jungle out there
Desordem em confusão por todo o lado, e eu aqui embaixo da terra.
Não, não. Sem Brás Cubas, sem autor defunto nem defunto autor. Sem posteridade. Falo da selva lá fora, não da selva de outrora.
E eu aqui embaixo da terra.
Pisada no pé, empurrão, prensada com mochila e o caramba. É gente indo e indo e indo e vindo. Aquela coisa de filme, podia até ser abertura de seriado, que vem gente de todos os lados, de verdade. Mas ainda sim, aqui é meu porto seguro. It’s a jungle out there.
Ninguém parece se importar.
Bem, eu me importo. Mas nesse caso acho que é só o parecer mesmo. É, porque eu também provavelmente não pareço me importar, para quem me vê. Ninguém anda por aí com com cara de quem se importa. Sua cara de andar é a mesma de 90% da população, só que moldada pro seu crânio, seus músculos, sua gordura e sua pele. A expressão é a mesma. É o mesmo não parecer se importar. Mas isso, veja você mesmo, não quer dizer o que parece. Ou parece não dizer o que quer.
Estar aqui em baixo é mais confortante. Às vezes é ruim também, claro, mas não se compara. Aqui é fresco, aqui é seguro, aqui é rápido. Não é que nem lá fora. Aqui é administrado. E aí saio lá fora e me pego perguntando “Ei, quem está no comando aqui?”
É uma selva lá fora.
Tem veneno no ar que a gente respira. É, isso talvez não se aplique tanto, mas não sei, aqui embaixo tem toda a ventilação e tudo mais. Tem coisa que só fica em cima e tem coisa que entra também. Mas não sei, a sensação de purificação acontece comigo, deve ser até por causa dessas correntes de vento tão características daqui.
Mas, bom, de qualquer forma acabo sendo eu o maluco nesse ponto. Eu não consigo não reparar nas coisas, não consigo não ver sujeira.
Você sabe o que tem na água que você bebe? Bem, eu sei. E é surpreendente.
O pessoal acha que eu sou maluco por me preocupar tanto assim. Mas não é questão de loucura. É questão de atenção. Se você prestar atenção vai se preocupar também.
E eu te digo uma coisa: É melhor prestar atenção. Porque é micróbio na água, é sujeira no banco, é bactéria na boca. Doença, loucura e, bom, o pior que é a insanidade das coisas. Dos carros, não sei, da gente toda andando. Das caras que parecem não se importar. Do mundo que a gente até consegue isolar um pouco aqui embaixo, mas que criou isso aqui e pra onde a gente inevitavelmente vai voltar daqui a pouco.
Bom, como eu disse, prestar atenção. Preste. Não precisa ser herói, não vá querer mudar o mundo. Mas entenda o que ele é. Ele é uma selva. E mesmo assim a gente ainda gosta dele, entende? Preste atenção e se preocupe com as coisas. Porque no fim tudo é muito rápido e se mistura. E mesmo assim as caras continuam parecendo não se importar. Mas permita que eu saiba que mesmo não parecendo, você se importa porque, bom, esse mundo que a gente ama tanto, esse mundo pode te matar.
E seguir parecendo que não se importa com você.
No fim é isso. Se preocupe. Você nem imagina. Aqui embaixo é bom, mas o mundo é lá fora. A selva é lá fora. Mas é de lá que viemos.
Acredite em mim. Digo, se quiser. Eu não tenho compromisso com a verdade. Não sou jornal nem gente famosa.
Claro, eu poderia estar errado.
Mas eu acho que não.
Porque é uma selva lá fora.
It’s a jungle out there.
Eu fico no bico do corvo.
Solto
na linha da faca.
Espero na placa da curva
Longe
na encruzilhada.
Enrolo e escrevo poesia
Finjo
que não penso nada.
Eu canto imito assobio
Penso
que não faço nada.
Eu quero que a vida caminhe, eu quero que a ideia engatinhe
Eu quero que o sonho apareça e que sorte e destino me façam sentido,
mas
Penso que não faço nada. Finjo que não penso nada.
Solto na linha da faca.
Longe
Do copo de leite, do grosso, do meio amarelo, do gole pesado, do vidro gelado, do pano rasgado, do pano estendido, do garfo entortado, da faca, do pão do outro dia, do pão recheado, do queijo vencido.
Da mesa, da mesa pequena, da mesa vazia, do chão refletindo, dos bancos quadrados, do lustre apagado, da porta entreaberta, da pia lavada, do armário fechado.
Da sala apertada, dos móveis, do quarto arrumado, do teto, do sótão, da luz apagada.
Da casa bonita, da área tranquila, do muro florido.
Do bairro, do mundo.
Da vida.